— O alerta é claro: temos de incorporar essa dimensão da variabilidade climática se quisermos evitar o colapso dos sistemas.
Segundo ele, a "incorporação" ou adaptação está intimamente ligada com a vida, o uso dos recursos, a infraestrutura local de cada país.
— A maioria dos países em desenvolvimento ainda é muito mal equipada para conviver com a variabilidade climática existente hoje. E imagine que, em cima dessa variabilidade, vamos ter as mudanças climáticas com mais extremos.
Nobre lembra que o País conhece esse cenário, pois já está acostumado com a seca no Nordeste.
— Temos o exemplo clássico da convivência com a seca no Nordeste. Adaptar a infraestrutura urbana de uma grande cidade para as mudanças climáticas passa necessariamente por resolver grandes questões que vão muito além das mudanças climáticas. Que é a forma como a cidade se desenvolveu, a política de transporte público versus o automóvel, por exemplo.
Nobre afirma que falar em adaptar a mobilidade de São Paulo, para as chuvas mais intensas, não tem nada a ver com aquecimento global. Trata-se conforme ele de um problema da urbanização.
— Se a cidade já fosse mais funcional no aspecto de mobilidade urbana, seria muito mais fácil se adaptar ao aumento da temperatura e da intensidade das chuvas e de inundações.
Crise no abastecimento
Para Nobre, o setor de abastecimento de água é o que ainda está reagindo mais na emergência. Mas a dimensão do longo prazo das mudanças climáticas precisa ser rapidamente incorporada nas políticas públicas do uso do recurso hídrico.
— Só responder na emergência não elimina todos os prejuízos econômicos, sociais e ambientais nem evita colapsos no longo prazo. E não estou dizendo que essa seca atual é uma decorrência das mudanças climáticas. Mas que, no futuro, a variabilidade climática, que é prevista por todos os cenários climáticos, tem de ser levada em consideração. O sistema tem de estar preparado para isso.
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